Saúde Mental do Homem 1

Saúde Mental do Homem

3 de fevereiro de 2021

Recebi com alegria o convite da minha dileta amiga Maria Marta (Psicobela), para fazer um comentário sobre a saúde mental do homem, e rapidamente me perguntei: homem tem saúde mental?

Imediatamente senti a alegria sendo substituída pela responsabilidade, principalmente neste momento histórico onde as questões de gênero parecem nortear interpretações, ações e decisões, e as questões da pandemia tem infiltrado nas pessoas estados mentais até então poucos conhecidos, independentemente de serem homens ou mulheres, adultos ou crianças, de tal ou qual etnia ou religião, etc.

É necessário deixar claro que saúde ou debilidade mental não se focaliza  em questão de gênero, e homens e mulheres – e as tantas outras denominações de gênero contemporâneas – necessitam igualmente de saúde mental para poderem dar conta das suas vidas, e das dificuldades encontradas no dia a dia.

Mas sim, há alguma diferença histórica e de cunho social na forma como homens e mulheres lidam com essa questão, causando preocupações que fazem com que surjam programas específicos, como por exemplo, o surgimento no Brasil em 2008 da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem – PNAISH. E eis aqui o detalhe importante: para atingir um público de grande epidemiologia e morbimortalidade.

Agora o homem começa a preocupar o sistema de saúde, e em contrapartida ganha uma gama de atendimentos diferenciados que antes não eram especificamente oferecido ao público masculino (como já era padrão no quesito saúde da mulher, da criança e do adolescente, o que fez com que mulheres e crianças  saíssem na frente nos cuidados tanto e saúde física como mental).

Também é histórico, e socialmente aceito, que mulheres pudessem recorrer mais facilmente aos serviços profissionais de saúde, seja para as consultas anuais preventivas, como também melhor aceitas as ausências para consultas médicas de forma geral. Igualmente, nota-se no público feminino certa falta de pudor ou vergonha na busca de ajuda profissional em momentos de necessidade, e esse é um fator que vemos não bem resolvido no mundo masculino: o pudor, a vergonha de ser visto como um ser frágil, não capaz de resolver seus problemas sem ajuda – valendo para o âmbito físico e também mental.

A mente é o inicio de muitos problemas, de várias ordens e grandezas. Na mente se inicia a vida, se constroem os caminhos a serem trilhados, são formados os padrões comportamentais, as crenças pessoais, os dramas e as soluções. A mente é tudo, para homens ou para mulheres.

Mas, não se enganem. Enquanto as mulheres se percebem melhor, e buscam ajuda profissional para lidar com aquilo que não parece funcionando como devia, os homens se entregam à uma sorte desvirtuada, como por exemplo: os vícios em álcool ou outras drogas, as associações a grupos pouco sadios (muitas vezes), jogos de poder perigosos – pelos quais criam um mundo virtual paralelo onde passam a viver, sem solucionar, na vida prática, seus dramas pessoais, sem poder organizar sua mente para formar padrões inteligentes de respostas às demandas. E essa é a maior preocupação: os homens não lidam bem com sua vida mental, não reconhecem suas fragilidades e debilidades, não buscam ajuda profissional.

Não é à toa que os infartos são ainda o principal motivo de morte entre homens: stress e descompensação emocional se mostram como causas primárias. Fumo, álcool e drogas são somente as armas que usam para acelerar o processo e produzir todo tipo de agravo levando à falta de energia geral, colocando o corpo em posição de “game over’.

No momento atual, devido à grande pandemia, é necessário tomar ainda mais cuidado. Homens que se achavam fortes e resistentes estão sucumbindo ao stress contemporâneo, aumentando consideravelmente a possibilidade de agravos à saúde mental de forma até então não vista. A vida laboral mudou, o espaço de vida em família tornou-se local de trabalho. Muitos inclusive precisando reinventar-se e fazer uma total reengenharia.

A vida social está restrita, e já está registrado o aumento do uso de álcool dentro dos lares – que antes era comum nos bares e encontros sociais –, o aumento da irritabilidade e por consequência a violência, o aumento das debilidades de saúde física e emocional, o aumento do número de divórcios, diminuição dos ganhos minimizando a capacidade aquisitiva aos bens de conforto e consumo, e tantos outros fatores que ainda estão sendo estudados – pois até mesmo a ciência está precisando rever seus modelos de interpretação sociológica.

O mundo mudou, e o homem precisa mudar também. Estou me referindo a homens – e não a mulheres –, pelo simples fato deles sempre terem se julgado acima dos limites, mais fortes e inquebrantáveis (mesmo que só na cabeça deles).

Para não alongar o texto, quero salientar que homem também tem problemas emocionais e mentais, e ter problemas mentais não significa ser um problema necessariamente psiquiátrico, como nas morbidades maiores.

Irritabilidade, cansaço excessivo, dificuldade para resolver questões antes fáceis, baixa disponibilidade para o prazer, sensação de agonia, aperto no peito, aumento gradativo de consumo de álcool, busca de drogas mais pesadas (lícitas ou ilícitas) para se sentir mais “leve” ou para conseguir dormir, aumento ou diminuição abrupta de peso – sem dietas, regimes, uso de medicamentos ou alguma disfunção endócrina -, cansaço ao acordar, pensamentos acelerados, pensamentos circulares, pensamentos distorcidos, falta de atenção – que antes era normal -, podem ser sinalizadores de que há necessidade de buscar ajuda profissional para descobrir e entender o que está havendo nos planos mentais e/ou emocionais.

Homens, principalmente no momento atual, não se “façam” de fortes. Façam sim como as mulheres: SE CUIDEM, busquem ajuda para descobrir a melhor forma de lidar com a vida sem se enforcar com os próprios pensamentos.

Psicólogo Roberte Metring

www.psicologoroberte.com.br

@psicologoroberte

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