Relacionamento ou romance. Qual é a sua?

3 de setembro de 2019 admin

As palavras que aqui escrevo nascem da experiência de dezenas e dezenas de belas
e interessantes mulheres que discutem suas histórias comigo no consultório e
também dos muitos e-mails que recebo como desabafo ou pedido de orientação. Mas
essas inquietações estão em corações femininos em muitos lugares e ocorre também
com os homens, em proporções e contextos diferentes é claro. Avançamos nas
mudanças tecnológicas, sociais e tantas outras, mas há muitas situações em que os
processos são longos e os sentimentos humanos muitas vezes não acompanham o
ritmo. Há poucos dias escutava uma narrativa assim – “você sabe, mulher tem tempo
de validade. Não posso ficar investindo num relacionamento sem saber se vai dar
certo. Eu quero formar família, ter filhos e já tenho 38 anos”. E então eu pergunto pra
ela: Quais seus planos? Com o que se sente alinhada, com um relacionamento ou
um romance? – Como assim ela me pergunta, não são necessariamente juntos? –
Respondo que pode ser que sim, que é ótimo quando sim, mas que não
necessariamente. Ela me olha com algum espanto e me diz: “eu tenho que pensar
melhor nisso, não havia pensado exatamente assim”. Vivemos num momento de
grande liberdade, sexualmente inclusive, se fala o tempo todo das relações voláteis e
vazias, das pessoas sendo “consumidas e descartadas como coisas”, da oferta
excessiva de afetos (lê-se pessoas excessivamente oferecidas e expostas, numa
busca compulsiva por tamponar carências) da falta de compromisso, de respeito e
derivados. Mas essa liberdade que de fato carrega faces cruéis, também traz consigo
a liberdade de escolher um forte compromisso consigo mesma, de bancar a verdade
a respeito dos próprios sentimentos, do desejo e da possibilidade de apaixonar-se, de
amar, de experimentar sensações especiais. Se por um lado hoje há muitas
separações, continua ocorrendo muitos casamentos. Viver o amor está no chip de
todos nós. É da nossa natureza, compõe nossas necessidades humanas. Sabemos e
não faz tanto tempo assim da época em que o casamento era possivelmente para a
maioria das mulheres a única possibilidade de mudança de vida. Hoje é a realidade é
diferente. Mas, não nos enganemos porque ainda há muito mito sobre a “mulher
sozinha”. Ser solteira ainda é confundido com ser sozinha, e muitas mulheres mesmo
em dias atuais sofrem alguma discriminação. Muitas desgostam de ter como estado
civil o complemento solteira. Não faz muito tempo ouvi de um marido de uma amiga,
pessoa instruída, um comentário numa conversa informal sobre determinada mulher

que deveria ter algum problema já que não se via ela num relacionamento. Já ouvi
muitos relatos de mulheres que após uma separação sofreram discriminação de
“certas esposas e seus olhares incomodados”, como se essa “intrusa avulsa” fosse
uma ameaça aos pobres maridos indefesos. Pode parecer chocante, mas
infelizmente há casos que é realidade. Há também mulheres que não imaginam
felicidade sem parceiros e filhos, ou filhos, não necessariamente maridos, ou sem
parceiro, não necessariamente filhos. Não há erro nisso. E é importante ter
consciência. Algumas estão dispostas a produções independentes e aqui não vamos
entrar no mérito da criança e sua história, mas na liberdade que essa mulher tem em
comandar seu destino e bancar suas escolhas com êxito ou não. Muitas mulheres,
lindas, independentes, bem sucedidas e solteiras precisam ouvir ininterruptamente: tá
namorando? Não tem ninguém? Mas você é tão bonita, você trabalha demais ou o
clássico você é muito exigente, tem muitos pretendentes, mas nenhum bom o
suficiente para você. Há mulheres e homens que aceitam ficar num relacionamento
sem romance. E muitas delas não largam o osso (osso mesmo) porque são relações
que só tem osso, nada mais. Não traz evolução, não traz felicidade, só desgaste.
Mas o pavor em ficar só, em desperdiçar os anos que já ficou as mantem agarradas,
mesmo famintas de romance, numa relação com quase nada a oferecer. Já um
relacionamento com romance, lê-se romance aqui como aquela química especial,
aquelas sensações únicas que faz você apagar as pessoas a sua volta e achar que
aquela basta, pelo menos por algum tempo. Lê-se aqui por romance aquela vontade
de ficar perto, de sentir o cheiro, o gosto, de dormir e acordar juntos, vontade de
tocar, de rir, de ficar feliz a maior parte do tempo. Lê-se por romance aqui o olhar que
se encontra, e o sorriso que nasce mesmo na ausência da pessoa, e ainda aquela
vontade de não soltar do abraço. A sensação de que chegou, que encontrou quem
esperava encontrar. Ahhh e algo muito importante: pra ser romance precisa ser
recíproco! É possível ter um relacionamento sem romance? Sim e pode ser um bom
relacionamento. Com boas conversas, boas risadas, companheirismo, parceria,
aquilo que a maioria de nós chamaria de um “bom amigo”. E dá pra casar, ter filhos,
cachorro, casa. Não haverá os olhares, a vontade de que os amigos não demorem,
para ficar a sós. E isso não causará grandes traumas ou sofrimentos. Mas é um
relacionamento sem romance. Há muitas pessoas que vivem assim e vivem bem, e
há aquelas que não se contentam com relacionamentos sem romance. Depende do
perfil que você tem, das escolhas que está disposta a fazer, e da pressa que carrega
consigo, do “preço” que pode pagar, da fase de vida que está atravessando, depende
de muitas variáveis. Afinal um amor é sempre um investimento e no campo dos
investimentos há diferentes perfis. Os conservadores, moderados, arriscados ou
agressivos. Talvez seja um risco que as mulheres maduras entre 35 e 45 anos e
solteiras corram ao desejar relacionamentos com romance. E nesses casos é preciso
coragem, porque algumas quando vivem relacionamentos sem romance, mesmo
correndo o risco de “perderem tempo” não conseguem permanecer neles. Cobram-se
porque podem ter desperdiçado uma chance da sonhada família e filhos. Mas, essas
mulheres sabem que não conseguem viver uma relação que traz alguém para suas
vidas, mas as tira de si mesmas. Essas mulheres e homens agem assim, bancando
estar solteiros, mas, conectados ao coração, preferem do que acompanhados e
separados da emoção. São pessoas que investem em autoconhecimento,
desenvolvimento, amigos, etc e tal e gostam da própria companhia. Não são
revoltados ou contrários aos relacionamentos, de jeito nenhum. Nem se consideram
autosuficientes, são apenas movidos a paixão. Não paixão desenfreada, nem paixão
de perder-se de si, apenas paixão pela vida, otimismo, confiança e necessidade de

autênticas conexões. Se, estão certas ou erradas, não se sabe de fato. E também
não há como afirmar se há situação melhor ou pior, são apenas diferentes. Mas, uma
coisa é certa, há um perfil de homens e mulheres que precisam amar para ficar, e
não ficam se não amar. Não importa o que estejam arriscando, esses seres não
traem o próprio coração. Se você faz parte desse perfil, tome consciência disso, e
pare de sofrer além do que precisa. Invista em seu coração e siga em frente,
correndo os riscos de um romance acontecer, e você se ver envolvida num
relacionamento.
Maria Marta Ferreira


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