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O desafio de educar meninas

11 de março de 2021

Escrever sobre “o desafio de educar meninas” nos dias e no mundo atual, é, no mínimo, desafiador!

Cá entre nós, ter um filho é uma baita responsabilidade… pois entendo que somos responsáveis pela busca de um mundo melhor para nossos filhos e, como pais, de criarmos pessoas melhores para o mundo.

E daí decorre o nosso papel: criarmos crianças saudáveis e educá-las para que sejam mais confiantes, empáticas, solidárias, tolerantes, amorosas, justas e felizes!

Pois bem! Ser mãe de menina não é fácil, a gente sabe. Porque além de se esforçar ao máximo para criar uma filha com as qualidades acima citadas, buscamos, ensejamos e zelamos por criar uma “futura mulher” empoderada, que tenha amor-próprio. Ou seja, se ame exatamente do jeito que é, que não tenha medo de errar ou falhar e tentar novamente, que não hesite em assumir riscos, que não se apegue a estereótipos que cercam a feminilidade, que respeite o seu corpo e imponha e postule sempre respeito pelo mesmo, que não tenha medo de quebrar barreiras e superar preconceitos na obtenção de igualdade de oportunidades e respeito, que se sinta segura ao expor suas preferências, gostos, formas de pensar e agir.

Se você é mãe de menina, é provável que seja o maior exemplo para a sua filha.

E sabendo disso, é imprescindível uma autorreflexão, pois a tendência natural das crianças é imitarem o que observam.

Neste contexto, de repente eu, perfeccionista e simétrica, me deparo com a necessidade de “desalinhar” um pouco, pois quando se ensina uma criança a fazer tudo sempre certo, ela pode entender que errar significa “não ser bom o suficiente”. E é exatamente isso que nós, mães (e pais) não desejamos aos nossos filhos! Queremos ensinar que errar faz parte da vida – e que tudo bem! Mas como eu disse e a ciência nos mostra, o desenvolvimento das crianças acontece em grande parte por meio da observação e da imitação! Ou seja, nossas ações diárias com as crianças moldam suas atitudes, tendo grande impacto na forma como elas enxergam o mundo e a si mesmas. Então não dá para educar e criar uma filha com base em discurso sem ação, sem exemplo! Afinal, “filho de peixe… peixinho é!”

Como mães de meninas também desejamos que elas sejam melhores do que nós. Desejamos e sonhamos o melhor para nossas filhas. Mas é com base (também!) em nossas atitudes diárias, em nossos hábitos (repetição) que o caráter e a personalidade de nossas filhas serão moldados, principalmente na primeira infância (idade da minha Helena!)! Todo o desenvolvimento infantil depende, essencialmente, do ambiente no qual a criança está evoluindo.

Então se você quer uma criança com boa alimentação? Se alimente bem junto com ela! Quer uma criança que exponha seus sentimentos? Exponha os seus sentimentos para ela! Quer uma criança educada e respeitosa? Seja educada e respeitosa com ela também!

A autoestima da criança depende do apoio da família, do encorajamento a fazer coisas novas e do reconhecimento por coisas importantes. Eu não sou expert em autoestima; inclusive é um tema amplamente trabalho em sessões de terapia por mim! Mas dou meu sangue para apoiar a minha filha e ajudá-la a se tornar uma criança segura e que goste de si através do amor e da confiança. Helena está em uma fase de brincar e andar a cavalo! Eu gosto de cavalos, mas não sei nem montar em um! Entretanto, apoio minha filha, a incentivo, quero que vivencie e aproveite o que a faz bem e feliz! Ver o sentimento de alegria e euforia da minha menina ao descobrir um novo prazer, me dignifica como mãe!

Mas falando em sentimento, aqui em casa procuramos não desvalorizar os sentimentos da Helena, pois acreditamos que não existe sentimento que não deva ser sentido! Entendemos que toda forma de manifestação da criança é uma forma válida de se expressar e querer demonstrar seus sentires, ainda que muitas vezes de maneira confusa, pois a criança ainda está em processo de autoconhecimento e amadurecimento emocional. Acreditamos que, como pais, temos a missão de guiá-la, ouvi-la, confortá-la, encorajá-la e orientá-la quando necessário for.

Não mentimos (dizemos que a vacina dói um pouquinho sim, mas explicamos a necessidade e os benefícios dela de forma lúdica), não criamos monstros amedrontadores (aqui não existe bicho papão, lobo mau ou bruxa para vigiá-la nos momentos de rebeldia), mas também não fazemos concessões quando não é possível. Explico que algumas atitudes dela às vezes me deixam triste como também procuro validar e elogiar quando ela tem boas condutas.

É muito comum em nossa sociedade que as meninas sejam elogiadas por sua beleza. Mas como mãe de menina, me sinto no direito e na obrigação de ressaltar à minha filha que ela é tão mais do que isso! Precisamos lembrar nossas meninas que além de bonitas elas são inteligentes, carinhosas, engraçadas, dedicadas, corajosas, espertas, bondosas, amigas… Elogios assim mostram para nossas pequenas que a aparência delas é apenas um detalhe entre as infinitas qualidades que a tornam uma pessoa incrível, aumentando a confiança e incentivando o desenvolvimento de nossas meninas!

Enfim, ser mãe de menina é ser duas vezes menina! Dizem os homens que entender as mulheres é algo complexo…. Que tal entenderem duas?! Pais que lutem! #mãedemenina #amormaior

Karine Baranczuk Barros
Advogada – @kabaranczuk

Falamos mais sobre autoestima aqui em nosso blog, aproveite 🙂

 


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