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Nutrição digital, um tema também de saúde mental, você conhece?

28 de dezembro de 2020

A aprendizagem direta e a aprendizagem mediada são formas que ajudam o aprendiz em um melhor aproveitamento do conteúdo. Segundo o psicólogo e educador Reuven Feuerstein, criador da Teoria da Aprendizagem Mediada, aprender com alguém que esteja vinculado com o aprendiz, que se interesse e se importe com a qualidade e boa aplicabilidade do conteúdo, fará toda a diferença. 

Feuerstein não está mais entre nós, mas seus ensinamentos atemporais se aplicam perfeitamente  a novos conceitos e campos de estudo. Como o novíssimo Nutrição Digital. 

Ops, não é um atendimento nutricional online. É sim a área que relaciona o comportamento digital à alimentação. O que para mim, que trabalho há mais de 2 décadas com comportamento, inclusive alimentar,  faz todo sentido. Já não é mais uma questão de demonizar as redes sociais, os jogos, etc. Isso tudo é irreversível, ainda bem, é progressão. O que temos que estudar e que discutir é a sua aplicabilidade, consequências e potenciais.

Como se dará esse aprendizado é uma boa questão a se discutir e se trabalhar. A neurociência, que não para de aprender, por certo tem muito o que ensinar. Diz-se que já é ultrapassado dizer “nativos digitais”, hoje já se fala em “órfãos digitais”: pessoas, crianças,  jovens, adultos ou idosos que não tiveram ninguém para guiá-los na exploração digital profícua. Precisamos nos educar para isto.

“Higiene e Nutrição Digital” devem estar na pauta. O objetivo é  aprender a consumir o conteúdo digital, com cuidados e rigores que temos ao escolher nossa alimentação, por exemplo. O que contém sua qualidade, procedência e qual o bem que nos faz.

Em vez de desintoxicação e desconexão digital, a nutrição digital trata do uso intencional e inteligente dos dispositivos e do consumo consciente de notícias, mídia e informações. 

O conceito de nutrição digital se baseia na pirâmide alimentar saudável e nos princípios de nutrição alimentar para ajudar a entender conceitos-chave sobre limites de tempo de tela, cidadania digital e controle de impulso, e também avaliar benefícios cognitivos de aplicativos de jogos, por exemplo.

Os estudos neurocientíficos avançam e decifram o conhecimento sobre a associação de conteúdos e sua interação com os neurotransmissores. Compreendendo o que determinado conteúdo faz sentir ou provoca na saúde emocional do consumidor na sua interação com o conteúdo digital.

Naturalmente que já existem produtos e especialistas no mercado para favorecer esse processo e suas ramificações, em que o foco é saúde comportamental e resiliência emocional.

É o lado também capital da coisa toda. Inegável que as mudanças ocorrem na velocidade da tecnologia, embora o ritmo humano tenha sua lentidão, sigamos aprendendo, nos adaptando e evoluindo. 

A tecnologia é parte indissociável da nossa vida e a pandemia de 2020 cuidou de acelerar processos que estavam em curso. E assim o real e o virtual são faces da mesma moeda. Se assim é, então vamos lá seguir fazendo o que será, sem perder de foco o equilíbrio. 

 

Maria Marta Ferreira

Psicóloga clínica (CRP08/07401),

 


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