Mulher solteira, não procura!!! 1

Mulher solteira, não procura!!!

2 de janeiro de 2021

“Você é solteira? Você ainda está solteira? Você não quis casar de novo? Você não tem ninguém?”

Se está solteira é porque tem algum defeito grave.
Se está solteira é porque está procurando ou esperando alguém.
Porque não achou ninguém que a quisesse, coitada!
Está desiludida do amor.
Não gosta de homem.
Não gosta de sexo.
É traumatizada. Tadinha.

Mulher que escolhe estar solteira, gosta de sexo sim. E pratica. Consigo mesma e com quem quiser.
Gosta de plena privacidade.
Gosta da liberdade de fazer o que quiser com seu tempo, seu dinheiro, sua vida.
Preserva sua plena individualidade.
Não é contrária a relacionamentos.
Não é traumatizada.
Não é mal amada.
Não espera estar amando pra começar a viver.
Não precisa da confirmação social que um relacionamento trás.

E o que é melhor, pode mudar de ideia a respeito em qualquer tempo. E namorar, e casar, e voltar a ficar solteira. E…

Estar solteira não quer dizer que desacredita do amor, de um bom relacionamento. Tampouco quer desdenhar, ou revidar o comportamento dos homens. Só estar solteira mesmo.

São mulheres que escolheram a liberdade que a sociedade só permite honestamente aos homens, que podem escolher estar solteiros sem ter que responder a todas essas perguntas, ou serem julgados inferiores por isso.

Não vou debater aqui o machismo, também não vou discutir a pluralidade de gênero, o dito aqui serve a muitas pessoas. Só e tão somente agora, escolho escrever sobre as possíveis escolhas de uma mulher que escolhe não estar num ‘relacionamento sério’ com alguém, porque está num relacionamento com ela mesma. E isso é coisa séria também.

Algumas mulheres afirmam que sozinhas elas não ficam.
Algumas mulheres acreditam ser incapazes de ser felizes sem um relacionamento romântico.
Algumas mulheres se sentem vazias ou incompletas para viver sua vida sem um relacionamento.
Talvez por culpa do poeta, dos romances, do cinema, do patriarcado, do que for.

E está tudo bem, se assim elas querem, acreditam e escolhem.

Podemos acreditar em muitas coisas. Mas não é porque acreditamos que elas sejam verdades absolutas para todos. As verdades são absolutas individualmente e temporariamente.

Tem quem afirme, num mundo que venera corpos magros, que é impossível se sentir feliz num corpo fora do padrão. Que no fundo não é verdade, é só fachada. Felizmente isso não é a verdade absoluta. E testemunho isso na prática clínica há dezenas de anos.

Tem quem afirme que escolher ser solteira é fácil pra quem é bonita e independente.
Tem quem afirme que no fundo mesmo não é verdade, que a mulher solteira só está fazendo tipo, bancando a bem resolvida, mais para acreditar no que diz do que de fato vivendo isso.
Felizes de quem não tem essa ‘verdade maldosa’ no coração, digo.

A liberdade primordial consiste em não precisar convencer ninguém daquilo que acredita.
E acredite ou não, muitas coisas são possíveis. Vale aqui aquela boa desobediência da qual já escrevi. Porque o impossível, a gente aprende, não é possível.

A mágica da autoestima, do autoconhecimento, da autoaceitação, do auto-respeito, do entendimento, é uma alquimia possível. Quiçá inacreditável? Só vivendo mesmo.

Mas muitas pessoas tem sincera e profunda capacidade de acreditar que é possível ser feliz solteira (disse solteira, não sozinha). Por escolha ou circunstâncias.

Em síntese, somos incapazes de viver sem relacionamentos, mas isso não significa todos os relacionamentos, ou todos do mesmo jeito.

Somos seres gregários. É impossível ser feliz sozinho! Sim. Mas solteira não é sozinha, é solteira bem acompanhada, por muitas coisas e pessoas, para além de um relacionamento.

Sim, por mais inacreditável que pareça para alguns, estar solteira pode significar estar feliz. E lê-se feliz com alegrias e tristezas, na saúde e na doença, falo de felicidade realista.

Enfim, o que define alguém não é seu estado civil, é seu estado de espírito. Ou seu status de liberdade, sozinha ou acompanhada.

E vivendo bem, fazendo valer a pena todos os doces momentos acompanhada e os férteis momentos sozinha.

‘Tudo vale a pena quando a alma não é pequena’. Alguém bem sábio falou isso. Eu concordo.

Maria Marta Ferreira | Psicóloga CRP08/07401

 

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