DO MESMO JEITO, OU DE OUTRA FORMA?

9 de agosto de 2012

Valorizamos a persistência como um comportamento que nos engrandece. Somos motivados a seguir em frente, a insistir, prosseguir persistir. Desanimar até pode, desistir jamais!

A desistência não é vista com bons olhos. Denota fraqueza, pouca perseverança. Afinal precisamos ser resistentes, combatentes incansáveis na busca de novos objetivos, de projetos e sonhos.

Há um conto que narra à experiência de duas moscas que caíram num copo de leite. Ambas se debateram, se debateram muitas e muitas vezes na tentativa de sobreviverem. Uma, não foi tão persistente e afogou-se. A outra, continuou a se debater e a se debater, tanto e tanto que com o agitar de suas asas,  formou-se uma bolinha de manteiga na qual subiu e alçou vôo vitoriosa.

Passado algum tempo novamente aquela mesma mosca acompanhada de outra, caíram num copo com líquido, a novata escutando as orientações de uma companheira de espécie subiu num canudo que estava no copo e saiu rapidamente da zona de risco. A outra, aquela vitoriosa que já havia superado situação semelhante antes, pensou consigo mesma: já tenho experiência, vou agir como fiz da vez passada e logo estarei fora daqui. E foi o que fez: debateu-se, debateu-se incansavelmente, certa de que conseguiria superar o problema, mas dessa vez o líquido que o copo continha não era leite e sim água. E água como sabemos não forma manteiga. Sendo assim o destino da obstinada mosca foi à morte.

Quantas e quantas vezes escolhemos patinar no que nos é familiar em vez de nos arriscarmos rumo ao desconhecido? Isso acontece em muitas esferas da vida e muitas vezes na vida.

Anos sofrendo do efeito sanfona, muitas pessoas repetem as velhas dietas para emagrecimento. Radicais, restritivas. Já emagreceram com elas mais de uma dezena de vezes, mas também voltaram a engordar. Todas às vezes o foco era o número na balança, o emagrecimento rápido. E o pior continua sendo.

Infelizmente muitas vezes corremos apressados em direção ao fadado fracasso. Por pressa, por medo, por comodismo escolhemos o efêmero desejando que seja eterno.

Anos sofrendo em relacionamentos infelizes, turbulentos. Há pessoas que se agarram em algum motivo para ficar, quando tudo o que queriam era partir. Mas e o desconhecido?E se eu me arrepender, e se a pessoa finalmente mudar? Vai ser melhor, diferente para aproxima que virá? Isso não parece justo. Então é melhor ficar na dor do velho em vez de ansiar pelas possibilidades do novo.

Carlos Drumonnd em seu poema Reverência ao Destino diz: “Difícil é encontrar e refletir sobre os seus erros, ou tentar fazer diferente algo que já fez muito errado.

Edson Marques nos adverte: “mude, mas comece devagar porque a direção é mais importante que a velocidade”.

O esforço da mudança é algo precioso, uma energia sublime que exige muito de nós. Por isso mesmo é preciso empregá-lo na direção certa, ou pelo menos numa direção diferente daquela que há muito nos levou e nos leva sempre ao mesmo lugar.

Não podemos afirmar categoricamente que exista um jeito certo ou um errado de fazer as coisas, mas a força da experiência nos ensina que há ações com melhores resultados que outras.

Iludidos com os apelos sedutores da velocidade, descuidamos da direção. Ameaçados pelas chantagens do medo desistimos de desistir do que nos faz infeliz.

Gosto de refletir na diferença entre debater-se e combater. Muitas vezes na tentativa de solucionar problemas, nos queixamos, clamamos e reclamamos.

Debatemo-nos na esperança de que um nódulo de manteiga qualquer se forme e nos salve, ou que pelo menos nos livremos da culpa de não termos feito algo, mesmo que não sirva pra muita coisa.

Combater é diferente. Requer conhecimento, análise. Focar a direção, estabelecer a estratégia e agir de acordo com o alvo a ser atingido. Combater é lutar, transformar, aprender, mudar. Fazer diferente, não do mesmo jeito, mas de outra forma.

Observe, entenda, considere o contexto. E saberá a diferença quando desistir é uma armadilha ou uma saída.

 

Maria Marta Ferreira

Psicóloga CRP08/07401


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