Coração quebrado por alguém ter partido, alguém que ainda queríamos que ficasse. Como dói! 1

Coração quebrado por alguém ter partido, alguém que ainda queríamos que ficasse. Como dói!

4 de janeiro de 2021

O ano mal começou e eu já ouvi histórias de corações quebrantados. Dor por um amor terminado por um lado, continuado por outro.  Amar, se entregar numa relação, conectar histórias, sentimentos, desejos, em algum momento chega pra nós e também vai embora sem que estivéssemos prontos. Quem está?! Pode ser um relacionamento de décadas, de anos, de meses. Dor nunca se mede a não ser por àquele que sofre. Nesse descompasso dos afetos, aquele que é deixado, pode ir desde a surpresa à inconformidade, da raiva às lagrimas. É um vazio, um luto a se viver. Uma dor a sobreviver. Dói também para quem vai.

Aceitar a dor, elaborar a perda, abrir mão do que viveu, deixar o outro ir é uma experiência difícil. Mas humana, corajosa, realista. Há quem se apegue a fios de esperança. Um último sorriso, uma última palavra, um beijo final. Na tentativa de manter vivo algo que já deixou de respirar. Se agarrar a esperanças, a chances que não serão dadas, cavar palavras doídas, atitudes desesperadas, não é a melhor saída, mas há quem insista, resista, não desista. Acreditando que isso é amar, amar tanto e o suficiente para o outro ficar. Só faz doer mais. O amor precisa de reciprocidade para prosperar, se um não quer, de que adianta insistir? Persistir em algo que já terminou?!

A não aceitação pode ampliar as dores, anestesiar a razão, desperdiçar vida, fazer perder até a dignidade. Nunca houve garantias de que o amor duraria para sempre. Aliás a vida desconhece garantias. E não adianta perguntar, onde foi que eu errei ou o que há de errado comigo?! Não há nada de tão errado com você, para aquele alguém não ficar. Tão somente não há mais o que ofertar, retribuir. Não se dá o que não se tem. Acabou. E tem casos até que acaba, mal tendo começado.

A resposta está tão somente na falta de reciprocidade. Àquele que vai tentar convencer o que fica, de que acabou a sintonia, de que um novo amor virá, porque a pessoa merece amar e ser amada. Mas quem fica, insiste em não escutar. Não quer que vá, quer o amor de volta, quer viver outra e outra vez aquilo que já não existe mais. Mas, não dá pra ressuscitar o amor? Como assim acabou? Podemos construir juntos, insiste quem fica, e quem vai, continua não vendo sentido em ficar.

Acabar não significa que não tenha valido a pena, que o término apagou tudo. Não é verdade, se assim fosse, de que valeria a vida que um dia para todos termina? Às vezes o amor mudou de forma, deixa de ser romântico, passa a ser amigável. Acontece e isso não invalida o amor. Mas pode ser, que tenha sido mesmo mais errado do que certo, com mais dor que alegria, mais tesão que harmonia, e ainda assim acabar.

Mas nunca mais vou amar assim, vou encontrar alguém assim, insiste quem fica. É verdade, cada pessoa e cada amor é único.  Talvez daí a sorte de poder amar outra vez. Mais vezes, de outro jeito, outra pessoa. Mas só em pensar em outra pessoa com quem ainda se ama, a dor dói mais ainda. Como assim, será feliz com outra pessoa?! A dor tem dessas coisas, cega-nos temporariamente quanto ao futuro e às outras possibilidades. É eterna enquanto dói.  A vida conta que nem sempre nosso grande amor, será o amor dos nossos dias pequenos, ordinários.  É como uma viagem extraordinária, chega a hora de voltar pra casa, de voltar pra si. Olhamos pra trás com pesar, mas com gratidão pela experiência.

Não há possibilidades de amar sem reciprocidade. Se o outro quer ir, quem somos nós para insistir que fique. Quem somos para roubar-lhe a liberdade, impor nosso amor. Por fim, você terá que aprender a levantar-se da mesa, pois esse amor já não será mais servido, nos ensinou Frida. E essa palavra – aprender –, sempre sugere recomeço. Sofra, faz parte e você vai aguentar. Então, junte suas cinzas dolorosas, coloque numa urna qualquer, sepulte sua dor, acrescente sua recente história à galeria da arte de viver, e caminhe, sempre em frente. Porque há vida, vida pra se viver. E dor de amor, acredite, tem cura!

Maria Marta Ferreira

Quer saber mais? Neste podcast conversamos sobre empatia e compaixão nos relacionamentos. Neste outro, falamos sobre romaces. Aproveite 🙂


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