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Novas e melhores reedições de mim mesma(o)

A única constante é a mudança, afirma a filosofia budista. Se por um lado sabemos disso, por outro entendemos que as mudanças carregam em si dificuldades. Podemos chamá-las também de novidades, adaptações, mas principalmente de evoluções. Fato é que um tanto de bagunça e medo estão presentes. Sim, mudar dá trabalho, mas provavelmente não seja esse o verdadeiro motivo que faz muitas pessoas desistirem delas. Se por um lado as desejamos, por outro as tememos.

Receamos o novo. Apesar de incomodados com alguns ou muitos aspectos de nossa vida, simplesmente nos familiarizamos a eles e aprendemos a contorná-los. Pode ser um relacionamento conflituoso, um emprego desgastante, uma amizade destrutiva ou um sonho acalentado, tristemente emoldurado e guardado no coração.
A mudança também sofre a sabotagem da pressa. Uma mudança é processual por natureza e nenhuma transformação ocorre sem que o tempo faça sua parte. No entanto precisamos lembrar que se não fizermos a nossa, o tempo ficará impedido de fazer a dele.

Um filme infantil muito interessante intitulado  “Os Croods” destaca esse conflito de uma maneira bem elucidativa. Uma família mora numa caverna, o pai provedor, muito protetor, no intuito de resguardar os que ama os impede de quaisquer contato com o mundo além daquelas paredes. Uma tragédia os força a deixar a caverna. Um novo e estimulante mundo abre-se diante deles e muitas transformações ocorrem.

Na semana passada, após o período de férias reiniciei minhas atividades no consultório. Duas pacientes que retomaram à terapia na mesma semana, compartilharam pensamentos, posturas, modificações vividas que fazem da rotina de um terapeuta uma viagem e tanto, e o que é melhor, nos conta que o paciente já não está mais no lugar em que se encontrava. Evoluiu. Olhos brilhando, sorrisos largos declararam quão especiais eram seus sentimentos a partir do encontro consigo mesmas. Costumam  expressar nesses momentos: “eu sou outra pessoa” . Eu prefiro  mostrar-lhes  que não é bem assim: você é na verdade “uma melhor versão de si mesma”.

Como na vida, muitas vezes a terapia é uma jornada longa, e em muitas partes do percurso tememos não atingir as transformações desejadas, por vezes tão necessárias. Mas a busca da direção certa e o compromisso com a constância nos leva onde precisamos chegar. Apesar do desânimo às vezes, não desista. É preciso sair do lugar, viajar para perto e longe de si mesmo, em busca de novas perspectivas e diferentes olhares.

Como nas palavras de Marcel Proust  -“a verdadeira viagem não está em sair à procura de novas paisagens, mas em possuir novos olhos”.
Se com novos olhos você ler esse texto, realizar seu trabalho hoje, iniciar uma conversa com quem já falou centenas de vezes, então é provável que esteja processando uma nova versão de si mesma(o). Lê-se evoluindo!

Um beijo!

A Terapia Nutricional e RAFCAL

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RAFCAL, um aliado na luta contra a obesidade também no Ensino Fundamental

A obesidade é um assunto que assusta quem começa a se envolver com ele. Acompanhando dados estatísticos percebe-se que o índice de pessoas obesas vem aumentando com o tempo e não se fala apenas em adultos, mas o grande número de crianças e adolescentes obesos, os quais, sem o acompanhamento adequado, possivelmente se tornarão adultos com sobrepeso. Conforme Segundo Sichieri e Souza (2008), “entre crianças que aos quatro anos de idade eram obesas 20% tornaram-se adultos obesos, entre os adolescentes obesos esse percentual foi de 80%”.

Com essas informações não tem como deixar de pensar em prevenção, porém, encontramos um dilema, como prevenir crianças dessa doença em um mundo onde o ambiente é obesogênico, induzindo à aquisição e manutenção de comportamentos alimentares inadequados e ao sedentarismo? Hoje a sociedade espera que o indivíduo seja muito ágil, dinâmico, disponibilizando muito tempo para produzir, seja em casa ou no trabalho e nesta correria encontramos os produtos provenientes da globalização e dos avanços tecnológicos, os alimentos prontos, congelados, com embalagens atraentes e doces saborosos com muita gordura saturada, sódio e açúcar e outros ingredientes que nem pensamos sobre sua ação nociva em longo prazo principalmente. Outros fatores que fazem parte desta situação é o alto tempo investido pelas crianças e adolescentes em frente à televisão jogando videogame ou até mesmo entretidos em programas de TV, e absorvendo tudo o que a mídia traz, incluindo hábitos alimentares não saudáveis. Com isso a saúde perde em relação as pressões da sociedade competitiva e a influência da mídia.

Além deste ambiente obesogênico, quando falamos em criança, temos que analisar a família desta, onde se faz necessário trabalhar com esses pais também, e isso às vezes é um ponto que dificulta o tratamento, pois muitos têm que destinar um tempo para cuidar e auxiliar seus filhos a adquirirem um comportamento alimentar saudável, e também deverão apresentar esse mesmo tipo de comportamento para que seu filho realmente aprenda a se alimentar de uma maneira mais adequada. Segundo Sichieri e Souza (2008)

O ambiente familiar compartilhado e a influência dos pais nos padrões de estilo de vida dos filhos, incluindo a escolha dos alimentos, indicam o importante papel da família em relação ao ganho de peso infantil. Uma revisão dos programas de prevenção da obesidade para crianças mostrou que as intervenções que produziram maiores efeitos incluíram a participação dos pais.

Neste contexto não consigo deixar de pensar em prevenção no ambiente escolar com a proposta de trabalho do Rafcal Grupos.

Este programa acontece em três fases: a conscientização, habituação e manutenção. Como a proposta é trabalhar a prevenção, faremos uso apenas de uma fase, a conscientização, onde poderemos abordar o assunto de uma maneira geral, apresentando os aspectos que ficam ocultos em nossas ações diárias ligadas a alimentação. Durante os encontros, constrói-se um ambiente propício para os participantes compartilharem suas dificuldades e observarem que não são os únicos com esse problema. Nesta mesma fase temos o foco na conscientização do comportamento alimentar, no planejamento de mudanças, na mudança do comportamento alimentar, na adoção do pensamento e comportamento alimentar magro e na alimentação saudável. Acredito que esta abordagem se enquadraria perfeitamente no trabalho com crianças do ensino fundamental.

As demais fases têm um cunho mais terapêutico o que provavelmente reduziria o número de participantes, e como o objetivo é prevenção, considero mais oportuno pensar em estratégias que possam abranger um maior público.

Estudos feitos sobre os programas de intervenção da obesidade em crianças e adolescentes mostra que os resultados são mais positivos quando há participação de crianças que possuem risco de ter sobrepeso; onde ocorrem sessões mais longas (num total de 40 horas de intervenção); quando o trabalho é desenvolvido por pessoas especializadas e não pelos professores, pois estes teriam que dividir seu tempo com as aulas, além de não receberem o treinamento adequado e quando o foco é o peso e não as doenças relacionadas como tabagismo, colesterol e pressão arterial. Sichieri e Souza (2008)

Entendo que o Programa Rafcal trabalha justamente com esta abordagem mencionada no estudo e com o contexto apresentado anteriormente. O princípio que norteia este programa é justamente o manter-se magro com uma alimentação saudável, tendo consciência de todo o entorno acerca deste assunto. Isso torna o trabalho muito mais profundo e complexo do que pensar apenas em emagrecimento. A proposta de se trabalhar em escolas de ensino fundamental é uma tentativa, de auxiliar os pais, a inserir este princípio desde a infância.

Psicóloga Sandy Cristine de Matos
CRP 08/14786

Referência:
SICHIERI, Rosely and SOUZA, Rita Adriana de. Estratégias para prevenção da obesidade em crianças e adolescentes. Cad. Saúde Pública [online]. 2008, vol.24, suppl.2 [cited 2010-11-24], pp. s209-s223 .

Diário Alimentar- Mais que uma ferramenta de “controle” é uma experiência importante de “autoconhecimento e manutenção de peso”

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O RAFCAL em uma perspectiva centrada na pessoa

Segundo sua criadora, a psicóloga Maria Marta Ferreira, o Programa RAFCAL (Reeducação Afeto Cognitiva do Comportamento Alimentar) é uma proposta que, “enfatiza a mudança de padrões de comportamento, visando com isso alterar o estilo de vida que produz obesidade, ansiedade, entre outros desconfortos comportamentais” (FERREIRA, 2009, p.54). Tal metodologia de trabalho sustenta-se em dois pilares: a Reeducação Cognitiva e a Educação Afetiva. O primeiro tem como fundamentação a Experiência da Aprendizagem Mediada, de Reuven Feuerstein, enquanto o segundo consiste em Psicoterapia com ênfase em comportamento alimentar.

Um dos questionamentos mais comuns dentre os interessados em filiar-se ao RAFCAL diz respeito à corrente psicológica que lhe dá sustentação. Na maior parte das vezes, imagina-se que, em se partindo do próprio nome, a metodologia sirva apenas àqueles que trabalham com Psicologia Cognitiva – hipótese refutada por sua criadora, que salienta ser o programa capaz de empregabilidade dentro de diferentes abordagens teóricas.

No processo de capacitação em RAFCAL, vivenciado com psicólogos de diferentes orientações teóricas, foi possível constatar a viabilidade de conciliá-lo com diferentes linhas de trabalho em Psicologia Clínica. Neste artigo, compartilha-se algumas reflexões acerca de sua convergência com as perspectivas humanistas, em especial a Abordagem Centrada na Pessoa, de Carl Rogers. Ressalta-se que o tema deste artigo não foi algo preestabelecido, surgindo naturalmente a partir do contato com conceitos da “Experiência De Aprendizagem Mediada”, modelo de aprendizagem proposto por Reuven Feuerstein em sua Teoria da Modificabilidade Estrutural Cognitiva.

INTRODUÇÃO

Inicialmente, cabe mencionar a controvérsia quanto aos termos referentes aos indivíduos em díade na relação terapêutica: para fazer referência ao profissional psicólogo empregar-se-á aqui o termo terapeuta ou mediador, cabendo ainda o termo terapeuta-mediador. Quanto ao sujeito que busca atendimento, é preciso considerar que, enquanto Rogers considera “cliente” a melhor denominação, visando diferenciar a relação de ajuda psicológica daquela presente no modelo médico; Reuven Feuerstein trabalha com o termo “mediado” na “Experiência de Aprendizagem Mediada”. Por sua vez, Ferreira e Meier (2004) optam pelo termo “paciente”, baseados em uma perspectiva de que paciência diverge de passividade, abarcando a “capacidade de investimento e espera”, habilidade essencial ao processo terapêutico. Visando evitar confusão com o emprego de ambos os termos ou a priorização de um deles, em detrimento ao outro, opta-se pelo emprego neste artigo do termo “paciente” em função de ter sido a escolha da idealizadora do programa em análise. Entretanto, não haverá substituição dos termos quando houver citação de autores.

Para quem conhece a Abordagem Centrada Na Pessoa – aqui compreendida como o conjunto de trabalhos de Carl Rogers nas áreas de Educação, Psicologia Clínica e Relações Humanas, cujo cerne é a “não-diretividade”, deve soar estranha a proposta de aproximação com uma metodologia, o RAFCAL, com princípios pré-estabelecidos, regras a serem aprendidas pelo paciente e destaque à intencionalidade do terapeuta.

Com base na crença de que a postura esperada do terapeuta é um elo consistente entre as referidas teorias, defender-se-á a possibilidade de conciliação das perspectivas. Para tanto, a seguir serão relacionados os parâmetros universais de mediação estabelecidos por Reuven Feuerstein aos conceitos de Rogers. Note-se que o referido autor estabeleceu doze critérios para a mediação, mas optou-se aqui por trabalhar com os quatro considerados universais:

 

DESENVOLVIMENTO

MEDIAÇÃO DA INTENCIONALIDADE E DA RECIPROCIDADE

Ferreira e Méier (2004, p.59) referem-se a este atributo do mediador como sendo a “intencionalidade de fazer com que os estímulos do meio em que o paciente vive sejam percebidos de forma diferente do que se o sujeito estivesse exposto de maneira direta a esses estímulos”. Tal consideração decorre da defesa empreendida por Feuerstein no sentido de que o mediador deve ter uma postura clara e coerente durante a mediação da aprendizagem, apoiada na firme determinação de alcançar as metas claras e específicas, estabelecidas para o processo em andamento (MEIER; GARCIA, 2007).

Já Rogers (1989, p.16) afirma que a função prioritária da terapia não está relacionada a induzir o indivíduo a fazer algo sobre si mesmo, mas à busca por “libertá-lo para o crescimento e o desenvolvimento normal, de remover obstáculos, de modo que possa novamente caminhar para frente”.

Entende-se, entretanto, que não há uma impossibilidade de conciliação das posições, mesmo que sejam aparentemente contraditórias, pois o mediador no RAFCAL irá trabalhar com intencionalidade sem, contudo, trazer objetivos externos à relação, ou seja, as metas e os objetivos do processo terapêutico são construídos em conjunto com o paciente.

Ressalte-se,a ainda, que a referida construção conjunta entre paciente e terapeuta, exige que o mediador esteja empático e congruente – condições defendidas por Rogers como fundamentais ao processo terapêutico. Neste sentido, Rogers (1997, p.325) define como congruência ou autenticidade a capacidade do terapeuta mostrar-se “como realmente é na relação com o cliente, não por meio de uma fachada, um papel ou uma ficção”. Também no RAFCAL tal habilidade é valorizada, como se percebe nas palavras de Ferreira e Méier (2004, p.87), ao defender a necessidade de “integridade do mediador, sua capacidade de vivenciar o que deseja transmitir”.

Já a reciprocidade de Feuerstein (apud MEIER;GARCIA, 2007) diz respeito à cumplicidade entre mediado e mediador, fenômeno também valorizado na perspectiva rogeriana, em que é considerada fruto da empatia e consideração positiva incondicional que o paciente vivencia na relação. Referindo-se à abordagem Centrada na Pessoa, Graziottin (2001) afirma que, se é fornecida uma relação permeada de compreensão e segurança e de uma aceitação da pessoa como ela é, então o cliente abandonará suas defesas e utilizará este espaço para ir em busca de seu autoconhecimento.

 

MEDIAÇÃO DA TRANSCENDÊNCIA

Com base nas idéias de Feuerstein, Méier e Garcia (2007) apontam que o paciente deve ser favorecido a generalizar as aprendizagens obtidas com a mediação, visando garantir que seja autônomo e independente, capaz de aplicar o que vivenciou em outros momentos e situações de sua vida. Tais objetivos são idênticos àqueles referenciados por Carl Rogers em sua obra, na qual defende constantemente a necessidade de “mudança para a vida” e não efêmera ou para o terapeuta.

Objetivo semelhante tem-se com o emprego do RAFCAL, pois segundo Ferreira e Méier (2004, p.55) objetiva-se uma real transformação, ou seja, a “mudança não é apenas local, é estrutural, permanente e significativa”.

Assim, apesar de estabelecer uma direção para o processo terapêutico, o RAFCAL, de forma análoga à Abordagem Centrada na Pessoa, objetiva a autonomia do paciente. As palavras de Ferreira e Méier (2004, 71) comprovam: “Todo o programa.. é um aprender, um aprender sobre sua própria alimentação, seu ambiente psicológico e físico e suas influências no comportamento. Explorar essas vias e reconduzi-las de acordo com as necessidades reais do paciente é fundamental, pois o objetivo é desenvolver sua autonomia por meio de um aprendizado significativo”.

 

MEDIAÇÃO DO SIGNIFICADO

Segundo Feuerstein (apud MEIER; GARCIA, 2007), ao propiciar a atribuição de diferentes elementos à experiência do paciente, o mediador tem como objetivo que este desenvolva a capacidade de significar seus atos futuramente. Esse mesmo movimento de deparar-se com significações diferentes, refletir sobre elas e ampliar sua percepção é mencionado por Rogers, como capaz de propiciar ao cliente a atualização de seu autoconceito.

Neste ponto, Ferreira e Méier (2004, p.50) sugerem como ferramenta de trabalho ao mediador “refletir o sentimento ou comportamento do paciente” para que este possa conscientizar-se dele. Os autores salientam que este “refletir” equivale a “devolver uma imagem”, noções muito às presentes na Terapia Centrada no Cliente, em que considera-se papel do terapeuta “devolver” os pensamentos e os sentimentos ao cliente, de forma a clarear e facilitar a apreensão da sua experiência. Tal devolução pode ser realizada através das ferramentas propostas por Rogers e Kinget (1975), tais sejam, as respostas- reflexo”, que são a materialização da atitude não-diretiva na relação terapêutica. Tais respostas podem ser de três tipos:

Na “reiteração” o terapeuta dirige-se ao conteúdo estritamente manifesto da comunicação, sendo geralmente breve e consistindo em resumir o que foi expresso verbalmente pelo cliente ou em assinalar um elemento significativo desse. Tem como objetivo criar uma atmosfera de acolhida e de compreensão que ajuda a diminuir as barreiras defensivas, facilitando com que o cliente sinta-se compreendido e acompanhado pelo terapeuta Por sua vez, o “reflexo de sentimentos” é a intervenção através da qual o terapeuta comunica ao cliente os sentimentos que ele percebe nas “entrelinhas” de suas palavras, procurando ampliar, diferenciar ou deslocar o centro da percepção do cliente, evidenciando certos elementos.

Por fim, a “elucidação” visa tornar evidente sentimentos e atitudes que não decorrem diretamente das palavras do indivíduo, mas da compreensão do terapeuta acerca de sentimentos e significados que ainda não foram apreendidos pelo cliente.

Ressalta-se que, apesar de parecerem técnicas simples demais, a reiteração e o reflexo de sentimento exigem muito do terapeuta: uma profunda sensibilidade empática e uma aceitação incondicional do movimento do cliente (TAMBARA; FREIRE, 1999, p.132).

 

MEDIAÇÃO DA CONSCIÊNCIA DE MODIFICABILIDADE

A crença de que o indivíduo é capaz de modificar-se, na medida de suas potencialidades e dos estímulos que recebe, está na base das teorias de Feuerstein e implícita na própria definição de Ferreira e Méier (2004, p.99): “O Programa RAFCAL é um instrumento que visa resolução de problemas, através das técnicas psicológicas aliadas ao método da aprendizagem mediada”.

Esta consciência nasce da experiência de transformação, a qual decorre do desejo de mudança. Considera-se aqui que a aceitação é a atitude que embasa este processo, na medida em que o início de qualquer mudança é a consciência da situação atual: “A aceitação é o passo para a mudança… não se modifica o que nos se reconhece como passível de mudança” (FERREIRA; MEIER, 2004, p.31).

Esta aceitação profunda de sua condição só é possível, segundo os preceitos de Carl Rogers, através da experiência do cliente de sentir-se incondicionalmente aceito pelo terapeuta. Trata-se, portanto, de uma atitude positiva e aceitadora, frente ao que quer que o cliente esteja vivenciando no momento e visa facilitar o autoconhecimento. Nas palavras de Tambara e Freire (2000, p.43): “O cliente é considerado como uma pessoa de valor exatamente pelo que ele é, simplesmente por ser. Não há condições para a aceitação. O cliente não precisa mudar ou ser diferente para ser aceito pelo terapeuta”.

Assim, não resta dúvida de que, para ser capaz de transmitir ao paciente a convicção de que ele possui recursos que lhe possibilitam resolver os desafios de sua vida é necessário que o psicoterapeuta tenha, além de certas habilidades, uma profunda crença no potencial de modificabilidade do ser humano.

 

CONCLUSÃO

A partir do exposto, defende-se a similaridade entre os pressupostos teóricos de Carl Rogers e de Reuven Feuerstein, o que implica na possibilidade produtiva de conciliação entre o Programa RAFCAL e a Terapia Centrada no Cliente.

Tal convergência repousa, especialmente, no papel atribuído e na postura esperada do terapeuta-mediador, cujas atitudes devem proporcionar o crescimento e a autonomia do paciente, que “aprende a aprender”, ou ainda, “aprende para a vida”. Defende-se, ainda, que tal similaridade sustenta-se na visão de homem como um ser de infinito potencial, que possui dentro de si vastos recursos para o autoconhecimento e para a modificação de seus conceitos, atitudes e de seu comportamento autônomo, visão que embasa amas as perspectivas referenciadas.

Por fim, ratifica-se a afirmação da idealizadora do RAFCAL, Maria Marta Ferreira: “É possível acoplar o RAFCAL ao processo terapêutico independentemente da linha psicológica adotada” (FERREIRA E MEIER, 2004, p.99).

 

Lúcia Helena Martins da Silva
CRP: 08/11156
luciahms@hotmail.com

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

FERREIRA, Maria Marta; MEIER, Marcos. Psicologia do Emagrecimento. Revinter: Rio de Janeiro, 2004.
FERREIRA, Maria Marta. Emagrecimento Sustentável: o desafio de manterse magra(o). Curitiba: Juruá, 2009.
GRAZIOTTIN, Tiane. A atitude não-diretiva na Terapia Centrada no Cliente. Porto Alegre: Trabalho de Conclusão de Curso pela Pontifícia Universidade Católica PUC/RS, 2001.
MEIER, Marcos; GARCIA, Sandra. Mediação da Aprendizagem: contribuições de Feuerstein e de Vygotsky. Curitiba: Edição do Autor, 2007.
ROGERS, Carl R.; KINGET, G. Marian. Psicoterapia e Relações Humanas. Belo Horizonte: Interlivros, 1975. V.2.
ROGERS, Carl R.. Tornar-se Pessoa. São Paulo: Martins Fontes, 1997.
ROGERS, Carl R.. Sobre o Poder Pessoal. São Paulo: Martins Fontes, 1989.
TAMBARA, Newton; FREIRE, Elizabeth. Terapia Centrada no Cliente: Teoria e Prática – Um caminho sem volta. Porto Alegre: Delphos, 1999.

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